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Bancos ainda avaliam como será liberação de crédito do BNDES para pessoa física instalar energia solar. BNDES anunciou R$ 300 milhões, mas BB e Caixa não acertaram como essa linha de crédito será oferecida; para instalar sistema em casa, consumidor deve avaliar a custo, área disponível e prazo.

Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) anunciou a liberação de crédito para a instalação residencial de sistemas de energia fotovoltaica (ou energia solar, como é mais conhecida), mas esse tipo de serviço ainda gera dúvidas entre as pessoas que têm interesse em fontes alternativas de energia.

É o que diz o presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), Rodrigo Sauaia. Ele diz que já recebeu relatos de pessoas que buscam crédito em agências da Caixa e do Banco do Brasil (que irão repassar os recursos do BNDES aos clientes), mas não conseguem informações.

“O setor tem reportado dificuldades em acessar esse crédito junto aos bancos. Muitas vezes, o cliente vai no banco, fala dessa linha e a agência não está preparada”, aponta Sauaia.

Em nota, o Banco do Brasil diz que o “assunto ainda encontra-se em análise no âmbito do BB”. Já a Caixa diz que “está avaliando novas modalidades” para financiamento de instalação de sistemas de energia fotovoltaica.

A medida do BNDES foi anunciada no começo de junho. O banco de fomento criou o “Fundo Clima”, que permite o financiamento de até 80% dos custos para instalar sistemas de energia fotovoltaica, a juros a partir de 4,03% ao ano.

A novidade é que as pessoas físicas também podem aderir, o que significa crédito para instalar sistema de energia solar em casa. Empresas ou órgãos governamentais com renda de até R$ 90 milhões no ano também podem aderir.

Economia de energia

Sistema de energia fotovoltaica (ou energia solar) instalado na casa de José Nilton, em Mairiporã (SP); conta de luz passou de quase R$ 300 para R$ 60. (Foto: Arquivo pessoal)

Sistema de energia fotovoltaica (ou energia solar) instalado na casa de José Nilton, em Mairiporã (SP); conta de luz passou de quase R$ 300 para R$ 60. (Foto: Arquivo pessoal)

O diretor de escola José Nilton Alves da Motta, de 60 anos, decidiu procurar um sistema de energia para sua casa, em Mairiporã (SP), em 2016. Dois anos depois, ele garante que a medida resultou em uma economia significativa.

“Eu pago hoje por mês em torno de R$ 60 de conta de luz. Antes, chegava a até R$ 280. Hoje, seria uns R$ 300”, calcula ele. “No longo prazo que o sistema se paga.”

Outra vantagem que Motta aponta é que, quando o sistema produz mais energia do que ele consome no mês, ele pode vender o restante para a concessionária. Isso costuma acontecer em épocas de maior incidência de luz solar, como nos meses de verão.

Como funciona e como instalar

A instalação de um sistema de energia fotovoltaica depende que a empresa, residência ou condomínio tenha o espaço para instalar os painéis, como telhados. Sauaia afirma que a economia com a conta de luz pode chegar a 90%.

ANTES DA INSTALAÇÃO:

  • Pelas últimas contas de luz, é importante saber qual é o consumo médio de sua residência
  • Procurar empresas especializadas para fazer avaliações da área disponível e orçamentos
  • Pesquisar linhas de crédito e estudar se, pelo prazo em que o sistema vai se pagar, o investimento compensa

Para saber quantos painéis são necessários para produzir a energia que um imóvel precisa, o consumidor deve verificar as últimas contas de energia para verificar qual é o consumo médio da família. Depois, ele precisa procurar empresas de instalação desse tipo de sistema para que sejam feitas avaliações e passados os orçamentos.

“A partir das informações da conta é que a empresa vai fazer um dimensionamento do sistema para verificar qual tamanho seria necessário para reduzir os gastos”, diz Sauaia. O custo médio por projeto de instalação numa residência, segundo o presidente da associação, é de aproximadamente R$ 15 mil.

O passo seguinte, se o consumidor não quiser fazer o pagamento à vista, é buscar o financiamento para a instalação do sistema. “Muitas vezes a empresa também ajuda o cliente a buscar o financiamento para seu projeto”, diz Sauaia.

O que os bancos já oferecem

Os recursos do BNDES serão repassados pelo BB e pela Caixa, que dizem que ainda estão avaliando como irão trabalhar com essa linha. Mas, antes do “Fundo Clima”, os bancos já trabalhavam com linhas de crédito que abrangiam a instalação de sistemas de energia solar.

A Caixa disse, em nota, que “possui linhas que podem ser destinadas ao financiamento de equipamentos de energia fotovoltaica”, como Construcard, o Crédito Imóvel e o Crédito Pessoal Inteligente. “As taxas de juros para as linhas citadas partem de 1,45% a.m. e o prazo máximo pode chegar a 240 meses, com até 06 meses de carência, viabilizando assim os projetos de energia fotovoltaica”, diz o banco.

Já o Banco do Brasil informou que “desenvolveu o Programa Agro Energia em 2017, destinado aos produtores rurais e suas cooperativas, com o objetivo de financiar a implantação de usinas geradoras de energias alternativas renováveis”. As taxas e prazos de pagamento variam.

Nos bancos privados também é possível obter financiamento para a instalação de energia fotovoltaica.

No Santander, há uma linha para aquisição do sistema fotovoltaico (placas, inversores e instalação) desde 2013. As taxas vão de 1,69% a 1,9% ao mês, e o prazo é de até 36 meses.

No Bradesco, há 1 ano existe uma linha de financiamento para compra e instalação de equipamentos para geração de energia fotovoltaica, tanto para pessoa física quanto para pessoa jurídica. As taxas são entre 1,80% e 1,86% ao mês, “conforme o prazo da operação, que pode ser de até 60 meses”. Dependendo do perfil do cliente, o banco financia até 100% do valor da instalação.

Já o Itaú Unibanco não tem uma linha voltada especificamente para esse fim, mas disse em nota que oferece um serviço chamado “Orientador de Crédito, que ajuda os clientes a entenderem qual a melhor linha de crédito para ele de acordo com seu objetivo”.

Fonte: G1

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